Ser presidente ou 1º
ministro de um país não é fácil. É claro que quem os exerce ganha poder,
mordomias, reconhecimento social mas também muitas dores de cabeça. Gerir os
problemas, interesses, finanças e sensibilidades de milhões de pessoas é tarefa
dura e desgastante.
Para além disso, quem está
num cargo público desta importância tem de gastar muito do seu tempo a decidir
em quem pode confiar em cada momento.
Sabe perfeitamente que a
oposição está à espera do mínimo erro ou descuido para o atirar para fora do
poder. Por outro lado, não pode esperar apoio incondicional dos seus colegas de
partido. Também entre eles há quem fará tudo para lhe roubar o lugar. Há os que
esperavam uma nomeação que não chegou e os que contavam com uma recompensa de
outro género pelos bons serviços prestados no decorrer da campanha que não foi
possível atribuir.
E ainda há que contar com
o instinto de sobrevivência dos seus mais fiéis colaboradores que, quando as
coisas começam a correr mal, só pensam em salvar a pele e em assegurar o
futuro, pelo que não hesitarão um segundo em sabotar ou trair a sua acção.
Isto já para não falar no
jogo de cintura que é preciso ter pois em política os inimigos de hoje podem
perfeitamente ser os aliados de amanhã e vice-versa.
É óbvio que quem chega a
este tipo de cargo sabe que a realidade é mesmo esta: se quer manter-se no
cargo durante muito tempo, o melhor mesmo é não confiar em ninguém. Porque um
político deste calibre tem a obrigação de conhecer perfeitamente a natureza
humana.
Por isso há muitos
políticos que se identificam plenamente com a bem conhecida frase de Alexandre
Herculano: Quanto mais conheço os homens mais gosto dos animais.
E são muitos os dirigentes
mundiais que, provavelmente por isso, escolhem por ter como seu melhor amigo um
cão ou um gato. Com eles podem desabafar à vontade, mostrar as suas dúvidas e
fraquezas, tendo a certeza que dali não resultarão fugas de informação, nem
traições de qualquer tipo.
Nos Estados Unidos, por
exemplo, há a tradição do First Dog, que é alvo de grande atenção da
comunicação social e, de vez em quando, até de discursos políticos.
Actualmente, as grandes vedetas caninas da Casa Branca são os cães de água
portugueses Bo e Sunny. O anterior titular do cargo, George W. Bush, tinha a
seu lado o terrier escocês Barney. Que foi
alvo de um comentário depreciativo da parte do presidente russo Vladimir Putin,
numa visita à Casa Branca. Na altura, Bush conteve-se para não provocar um
incidente diplomático, mas não esqueceu a afronta. Putin, que se diz ter
tentado intimidar a chanceler alemã, Angela Merkel – a qual parece ter medo de
cães - com o seu enorme labrador
preto Koni.
São muitas as histórias
envolvendo animais de estimação de figuras políticas poderosas que iremos
lembrar neste espaço ‘Presidente de 4 Patas’.